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“É melhor ter a Turquia dentro da UE do que deixá-la à porta” PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Produzido por Helena de Carvalho   
turquia

Por causa da sua geografia estratégica e valores comuns com a União Europeia, as conversações com a Turquia devem ser retomadas, defendeu  Miguel Angel Moratinos, ministro dos Assuntos Externos e da Cooperacão de Espanha, país que preside actualmente o Conselho da UE.

Numa entrevista dada ao jornal alemão Die Welt, Moratinos falou do papel de relevo que a Turquia poderia desempenhar enquanto mediador no Médio Oriente e na Ásia Central. “A Turquia faz parte da família europeia de nações e sempre foi um aliado importante no diálogo entre as civilizações do Oriente e do Ocidente ”, afirmou o ministro espanhol.

Desde que as conversações começaram, em 2005, apenas doze dos 35 capítulos de negociações foram iniciados, mas Espanha promete continuar com este processo, desbloqueando mais quatro capítulos durante os próximos seis meses.

Mas para prosseguir com as negociações de adesão é absolutamente necessário que o país cumpra os critérios políticos de Copenhaga, garantindo a Democracia, o Estado de Direito, os direitos fundamentais e os direitos das minorias. Uma das questões mais problemáticas neste dossier é a recusa de Ancara em reconhecer o Governo de Chipre.

Apesar da posição espanhola, muitos estados membros permanecem cautelosos em relação à entrada da Turquia. Segundo a última sondagem realizada em cinco países da UE, 64% dos franceses e 62% dos alemães diriam “não” à Turquia se um referendo fosse realizado. A sondagem da Universidade Bogazici de Istambul, da Universidade de Granada e da Universidade Autónoma de Madrid demonstra ainda que o “não” ganharia com menos de 50% no Reino Unido, enquanto que a Polónia e a Espanha votariam “sim” com 54 e 53 %, respectivamente.

Moratinos mostrou-se também confiante numa possível resolução do conflito Israelo-Palestiniano. Admitiu mesmo que ver este conflito solucionado é o desafio principal da presidência espanhola: “A Europa deve levar esta questão para diante e trabalhar de modo a que se chegue a uma solução pacífica para os dois estados, e o mais depressa possível. Um ano é o limite máximo. Ambas as partes querem negociar, mas precisam de ser incentivadas". Segundo o ministro espanhol, a paz nesta área influenciaria e melhoraria as relações europeias com outros países, porque“a co-existência com as sociedades muçulmanas é perfeitamente possível, e, mais uma vez, a Turquia poderia ajudar nesta tarefa diplomática”.

Outra das grandes prioridades assumidas pela presidência espanhola é a América Latina. A Espanha tentará convencer os estados membros a revogar a posição comum sobre Cuba e fechar importantes acordos comerciais com outros países da região. Porém, o Presidente do Parlamento Europeu, J. Buzek, já manifestou alguma oposicão em  relação às declarações de Moratinos, afirmando que “a posição comum europeia está em vigor há 14 anos e não há razões para a modificar, pois nada mudou com a chegada ao poder de Raúl Castro”.

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