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Obama aposta na energia nuclear PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Segunda, 01 Fevereiro 2010 17:05
Nuclear winter in Chernobyl (de Stuck in Customs)Barak Obama decidiu apostar na energia nuclear depois de ter manifestado cautelas sobre a matéria durante a campanha eleitoral.
O projecto de orçamento da Administração norte-americana para o ano em curso prevê um investimento significativo na construção de novos reactores nucleares, facto que representa uma opção assumida por esta fonte de energia. Depois dos cuidados com que abordou o tema durante a campanha que o levou à presidência, Obama elege agora o nuclear como forma de articular as diferentes posições em questões ambientais e também a nova relação de forças no Senado, onde os republicanos adquiriram maior margem de manobra ao conquistarem no Massachusetts o lugar anteriormente ocupado por Robert Kennedy.

No recente discurso sobre o estado da União, Obama afirmou que a maneira de criar novos empregos no sector das energias limpas significa “construir uma nova geração de centrais nucleares seguras e não poluentes”. Fontes citadas pela “Associated Press” salientam que o presidente alterou a sua posição em relação aos cuidados anteriores porque necessita de apoios de congressistas democratas pró-nuclear e republicanos para conseguir fazer passar legislação ambiental no ano em curso, que é também ano eleitoral no Congresso. Membros ligados à equipa presidencial asseguram que as decisões tomadas reflectem o apoio dado desde sempre por Obama à energia nuclear. No entanto, a inclusão deste tema de modo mais decidido no discurso presidencial segue-se à tempestuosa reacção republicana à aprovação em Junho passado de legislação que limita, ainda que de modo muito moderado, a emissão de gases que alimentam o efeito de estufa.
Os republicanos e alguns eleitos democratas têm criticado o facto de Obama evitar abordar a energia nuclear quando fala do combate ao aquecimento global e de fontes de energia não poluentes.
O discurso sobre o estado da União e agora a política orçamental adoptada já provocaram os primeiros sinais de satisfação entre os conservadores. O senador republicano Lamar Alexander, do Tessesse, declarou que observa “uma evolução da atitude presidencial em matéria de energia”. Até agora, disse, “a Administração tem seguido uma política nacional de moinhos de vento em vez de uma política nacional de energia, o que é o mesmo que ir para a guerra em barcos a remos”. Conhecido pelas suas propostas de construção de 100 centrais nucleares durante os próximos 20 anos, o senador Lamar considerou as palavras presidenciais sobre o nuclear como a parte mais importante do seu discurso sobre o estado da União.
No projecto de orçamento, a Administração prevê uma verba de 54 mil milhões de dólares para desenvolvimento da produção de energia nuclear no país.
Nos Estados Unidos estão actualmente em funcionamento 104 reactores nucleares em 31 Estados, produzindo cerca de 20 por cento da electricidade do país. De acordo com as fontes citadas pela agência “Associated Press”, esse volume representa, por outro lado, 70 por cento da energia produzida através de meios não poluentes como o vento, o sol e a água. Esta interpretação estatística é polémica por causa da junção destas fontes de energia sob a designação de “não poluentes” ou “limpas”.
Textos elaborados por legisladores e “lobbies” actualmente circulando no Congresso defendem que os Estados Unidos devem aumentar o número de centrais nucleares em actividade de modo a reduzir em 80 por cento a emissão de gases com efeito de estufa. Um estudo elaborado pela Agência de Protecção do Ambiente defende que até 2050 deverão entrar em funcionamento mais 180 reactores de nova geração.
A questão energética continua a ser transversal dentro do espectro político dominante norte-americano. O senador democrata John Kerry, o independente Joseph Lieberman e o republicano Lindsey Graham coincidem na opinião segundo a qual Obama tem que investir muito mais na energia nuclear e na pesquisa de petróleo e gás “off-shore” se pretende os 60 votos no Senado necessários a uma legislação ambiental à prova de “flibusteiros”.
Os legisladores mais próximos dos círculos neo-conservadores exigem do presidente uma opção “robusta” pela energia nuclear mas são contra a inclusão desta matéria no plano geral de combate à emissão de gases poluentes, que consideram a causa da produção de energia muito cara.
James Connaughton, ex-presidente do Conselho de Qualidade Ambiental da Casa Branca na Administração Bush considera que quando se fala de votos, a maioria dos que os têm no Congresso “estão do lado da barricada dos que pretendem a restauração da liderança da América na produção de energia nuclear”. Connaughton trabalha agora para a “Constellation Energy”, empresa de Baltimore que tem encomendas de cinco reactores nucleares e está em vias de obter mais.
Quanto à organização ambientalista norte-americana Amigos da Terra, as posições de Barak Obama sobre a energia nuclear são como “um pontapé na boca”.